terça-feira, 25 de julho de 2017

Despede-se a porta


Encostadas num
Canto do muro,
As rachaduras
Da antiga porta de madeira
Desenham caminhos
E mosaicos pincelados
Pelo tempo, sol e chuva...
Em um breve ritual
Luz e sombra passeiam
E, assim cada cantinho da porta,
E na maçaneta  imóvel
Permanece, ainda o sutil toque
Das mãos que as tocaram,
Tonaliza-se  os reflexos e sombras
Nas rachaduras, há sempre as lembranças
De outros pores do sol e os aromas
Das flores de laranjeira,
Que perfumam com notas suaves
A despedida de mais uma  tarde
De inverno...
Vanice Zimerman, IWA
 23/07/2017