sexta-feira, 22 de junho de 2018

Sublime querer


Encanta-me
Esse lento decantar
Do chá de flores de calêndula,
Tingindo o bule de porcelana
Lembram tintas, aconchegando - se
À tela em branco...
Quero saborear o
O doce aroma dos teus lábios,
Envolvendo a xícara,
Um cálido beijo,
Enquanto o fim de tarde
Anoitece em nós-
Num único e sublime querer...
Vanice Zimerman, IWA
 21/06/2018

Teus braços...

Abraça-me
Com a tua voz
E, deixa-me adormecer
Em teus braços...
Incendeia-me
Com as carícias
Das tuas mãos...
Vanice Zimerman, IWA

sábado, 16 de junho de 2018

Reflexos e saudades...



Tarde nublada-
A porta de vidro
Do antigo sobrado
Reflete-me igual a um espelho,
Imóvel observo-me
Meu olhar, meus cabelos, minh’alma mudaram
Senti saudade de quem eu fui,
Dos meus sonhos, hoje tão distantes...
Por segundos, me senti fazendo parte
Da madeira que emoldura a porta,
Da fechadura, da textura da parede,
Banho-me na cor azul,
Enquanto, perco a noção do tempo
Meu passado e presente mesclam-se
A dor  faz-me  companhia, lembrando-me
Que nada será como antes...
Sinto o vento do futuro tocar meu rosto,
Penso que estou  pronta para a despedida,
Sou forte, sou frágil, vida e morte...
Sinto que faço parte da semente de dente- de- leão,
Que voa sem pressa,
A chuva que começa a cair molha meu rosto
E, despeço-me do meu reflexo na porta,
Difícil conter as lágrimas...
O frio outonal envolve-me,
Gotas de saudade abraçam-me...
Vanice Zimerman, IWA
16/06/2018

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nas dobras do tapete da sala


Escondem-se as cores
Do fim de tarde
Nas dobras do tapete da sala,
Escondem-se os sons
Do fim de tarde
Na gaveta entreaberta do armário...
Escondem-se os aromas
Do fim de tarde
Na outra xícara de café vazia,
Que me observa num canto da mesa,
Enquanto, a saudade pulsa
No compasso do meu coração
A dor permanece-
Anoitece...
Vanice Zimerman IWA
11/06/2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

No cavalete...


Desliza o tecido azul
No cavalete...
As tramas do tecido
Em sintonia de luz e sombra
Alisam
A  secular  geometria,
Aquieta- se a madeira
Devaneia
Desliza o tecido azul,
Cobrindo as gotinhas de tintas...
Uma pausa-
Enquanto escrevo,
Minhas mãos
Recebem do vento
Beijos...
Vanice Zimerman, IWA
 03/06/2018

Lua de Seda



Lua de seda-
Tecida ao som da harpa
Tuas cordas bailam
E equilibram-se
Em linhas paralelas,
Inspirando meus versos,
Enquanto, a saudade
Anoitece e,
Espia-me
Do vidro trincando
Da janela...
Sinto frio,
Sinto falta
De adormecer
Em teus braços...
Ah, Lua de seda
Aquece-me
Enquanto observamos
A folha do plátano
Estrela do Outono-
Beijar
A cadeira de ferro, no jardim,

Silencio-me
Vanice Zimerman, IWA

Um vento de saudade


Noturna solidão-
Um vento de saudade
Embala as flores
Na cadeira de balanço...
Vanice Zimerman, IWA
06/06/2018

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Desdobro a solidão em filigranas


Da janela entreaberta
Sinto o vento e,
Fecho os olhos,
Faço dobraduras com os sonhos
Desdobro a solidão
Em prateadas filigranas
Que me farão companhia,
Enquanto as horas, vagarosamente,
Tecem a madrugada fria
Desdobro a solidão
Em gotas de filigranas
Que junto com a lembrança
Dos teus carinhos
Emprestarão das tuas mãos,
Novelos de cores,
Beijados pelo tênue raio de sol-
Iniciando, assim mais um amanhecer...
Vanice Zimerman, IWA
 30/05/2018