segunda-feira, 29 de maio de 2017

Cubro-me com os tons do outono


Cobre-se de folhas secas
A floreira com as flores de mel.
Cubro-me com os tons do outono,
Com as nuances da poesia
Que ainda, adormecida

Aguarda na folha dobrada
Da roseira
À espera por desabrochar.


Há um silêncio que encanta,
Um misterioso silenciar
Das batidas do coração,
Uma dor contínua,
Um desassossego,
Solidão que rabisca
Um sonho de amor,
E, que se disfarça em versos...
Na simplicidade e beleza
De mais uma tarde outonal,
O pensamento devaneia
Buscando respostas,
Nas perguntas que soltas
Flutuam em um labirinto,
Desfazendo-se o novelo
Tecido com os fios da vida,
Em mais uma tela inacabada...
Sinto saudades de passear
Nos campos floridos de Renoir
Molhar-me com as tintas,
E sentir o sol e o aroma das flores...
Van Zimerman, IWA
29/05/2017