terça-feira, 5 de abril de 2016

A máquina de escrever


Noite de abril,
À meia-luz.
Uma fresta na janela espia
A antiga máquina de escrever
Que em tons de sépia
Permanece em silêncio,
Silêncio repleto das carícias da tua voz...
Uma fresta na janela observa
Os móveis da sala,
O autorretrato inacabado, ainda no cavalete,
E as rosas imóveis no vaso de cristal,
Vermelhas pétalas que perfumarão
Um livro de poesias...
Uma fresta na janela espia
E curiosa, não entende as lágrimas,
Quando olho tua fotografia
E a aconchego em meu coração.
Uma fresta na janela não imagina
O significado da Saudade
Da tua ausência, do Amor tão distante,
E da outra xícara de café vazia...
Van Zimerman - 05/04/2016